sexta-feira, 24 de abril de 2015

Minha História de vida e minha História vivida na EPM/UNIFESP (34)

A história da realização de um Pós-Doutorado no North Shore University Hospital, Cornell University, Nova Iorque: pessoal e científica

O reencontro dos filhos com Long Island após 18 anos

Muito embora eu houvesse voltado ao North Shore University Hospital várias vezes, nos anos subsequentes de 1981-82-83-84 e 85, como Professor Visitante, em decorrência dos projetos de pesquisa realizados em colaboração com Fima Lifshitz, o fiz de forma isolada, sem a companhia dos meus filhos. Entretanto, em outubro de 1996, portanto, 16 anos depois daquela maravilhosa experiência de havermos vivido em Manhasset, surgiu a oportunidade de revisitar, agora juntamente com meus filhos, nossa moradia em Long Island, e, de certa forma, reviver alguns momentos das lindas recordações que impregnaram para sempre nossas retinas. Foi uma viagem longamente planejada e ansiosamente aguardada. Afinal de contas iríamos, pela primeira vez, todos juntos revisitar locais e também relembrar situações muito especiais, que cada um de nós guardava para si com muito carinho, depois de tanto tempo haver sido transcorrido. À época em que lá vivemos, na década de 1970, meus 3 filhos eram crianças pequenas, praticamente pré-escolares; agora já adultos tentariam reconstruir as memórias do local e as aventuras que haviam vivenciado. Dezesseis anos havia se passado, muitas coisas tinham se modificado nas nossas vidas; houve um pouco de tudo, crescimento pessoal e profissional, conquistas e perdas, vitórias e derrotas, alegrias e tristezas, enfim tudo aquilo que costuma ocorrer com as pessoas de uma maneira geral, posto que a vida não é uma trajetória linear e nós não temos o poder de controlar todas as variáveis, se é que podemos controlar algumas. Eu recém havia completado 52 anos de vida, os meus cabelos já denotavam os sinais dos tempos idos, estavam se tornando grisalhos, a cintura havia aumentado uns quantos centímetros, mas a disposição física continuava praticamente intacta graças à prática frequente dos esportes: tênis e squash (Figuras 1-2).



Figura 1- Momento de uma partida de tênis mostrando meu melhor golpe o revés.

 
Figura 2- Recebendo o troféu de campeão do torneio de duplas dos Conselheiros do Clube Atlético Paulistano, juntamente com meu parceiro Egisto; entre nós o amigo Leonel (o popular papagaio).

O futebol infelizmente, pelo avançar da artrose do joelho esquerdo, decorrente da cirurgia de extração do menisco ainda na adolescência, tive que abandoná-lo definitivamente. Minha despedida, porém, se deu em grandíssimo estilo, aos 45 anos, disputando a Olimpíada de Seniores, em Aalborg, Dinamarca, em 1989, na qual nos sagramos campeões (Figuras 3-4-5-6-7).

 
Figura 3- José Carlos Del Grande e eu em Aalborg. Del Grande foi meu companheiro de futebol desde quando ainda crianças jogávamos bola na praia de Itararé, São Vicente.

Desde aquela época cultivamos uma enorme amizade que passou pelos bancos escolares no Colégio Bandeirantes, por decisão do destino continuou nos anos seguintes como acadêmicos de Medicina na Escola Paulista de Medicina, e após a formatura em compartilhamos o mesmo consultório durante longo tempo, bem como, assim o fizemos como docentes na EPM. No plano esportivo tivemos a ventura de juntos termos formado uma dupla de grande sucesso, obtido vários títulos, em diversas equipes de clubes amadores pelas quais jogamos. 


Figura 4- Alguns membros do nosso grupo em frente ao pôster da competição.


Figura 5- Nosso time de veteranos que se sagrou campeão Olímpico.


Figura 6- Eu em ação no jogo da final.


Figura 7- Com muito esforço ainda conseguia correr atrás da bola, afinal de contas era o jogo final, valia a medalha de ouro e também a minha despedida do esporte que tanto amei.

Aliás, foi uma alegria indescritível ter participado daquela competição de seniores, pois a confraternização entre os participantes foi fantástica, era uma festa diária envolvendo todas as delegações (Figuras 8-9).


Figura 8- No espaço de convivência nossa música fazia grande sucesso.


Figura 9- Confraternização musical com o grupo da Islândia, regada a muita cerveja dinamarquesa.

No campo profissional havia, em 1988, portanto aos 44 anos, galgado o posto mais elevado da carreira acadêmica ao vencer o concurso para Professor Titular do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina (Figuras 10-11).


Figura 10- Cerimônia de posse de Professor Titular da Escola Paulista de Medicina em setembro de 1988. Professor Benjamin Kopelman como meu padrinho faz a saudação à minha posse.


Figura 11- Meu discurso de posse como Professor Titular da Escola Paulista de Medicina.

No ano de 1996, em junho, havia organizado o XII Congresso da Sociedade Latino-americana de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição em Pediatria, e também havia sido eleito Presidente da mesma para o triênio 96-98, o que constituiu o primeiro passo para que em 2008 organizasse o III Congresso Mundial da especialidade em Foz do Iguaçu. No plano pessoal tinha me divorciado 10 anos antes, havia me casado novamente, agora com Fábia, que veio a falecer em 2004 após uma longa e dramática batalha de 4 anos contra um câncer de mama. Foram 4 anos de grande sofrimento físico e emocional para todos os familiares, esquemas intermináveis de tratamento quimioterápico, idas constantes aos hospitais nos horários mais inoportunos do dia ou da noite, em virtude dos efeitos colaterais da pesada quimioterapia recebida na tentativa de debelar esta malfadada doença, e das metástases que iam gradativamente consumindo seu organismo, até chegar ao desenlace final. Do casamento com Fábia nasceu Walkyria Maria (nome dado em homenagem a ambas as avós) em 1990, que veio ao mundo para se tornar o sólido elo entre 2 famílias, pois ambos os pais havíamos tido filhos em casamentos anteriores (Figuras 12-13).


Figura 12- Walkyria ainda recém nascida com os irmãos Diego, Gabriela, Marina e Uly, junto com nossos cães: Tobi, Maguila e Megaron.


Figura 13- Batismo de Walkyria, ela está no colo da minha mãe.

Uly, aos 24 anos, era acadêmico de Medicina estava cursando o sexto ano na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, havia seguido a carreira de futebolista e de tenista com grande brilhantismo em ambas as modalidades (Figura 14).

Figura 14- Uly na sua estreia no time que eu joguei durante 20 anos, o Corinthians, tradicional time participante do Campeonato Interno do Clube Atlético Indiano.

Um fato marcante na nossa trajetória e que sempre esteve acima da relação hierárquica pai-filho, o mais importante para mim, foi termos construído um grande companheirismo de todas as jornadas da vida, Uly se constituiu no meu melhor amigo sempre (Figuras 15-16-17-18).

Figura 15- Fábia eu e Uly em Copenhage, Dinamarca em 1989, durante uma excursão de um time de adolescentes do Clube Atlético Paulistano de cuja delegação eu fui chefe e treinador.
Figura 16- Uly e eu em Helsinki em 1989.

 Figura 17- O time completo para a partida de estreia em Estocolmo. Este time jogou torneios na Suécia, Dinamarca e Finlândia durante todo o mês de Julho de 1989. Foi para eles e também para mim uma experiência de inestimável valor, sempre recordada por todos, agora adultos, com muita alegria e carinho.


Figura 18- Uly e eu, desfrutando nossa paixão conjunta, em um fim de ano dos anos 1990 na praia Vermelha em Ubatuba, na casa do meu primo Américo.

Juliana, aos 22 anos, já havia terminado seu curso de artes dramáticas no Indac, havia se tornado atriz, e, além disso, como houvesse sido alfabetizada em inglês era considerada uma “native speaker” e, também, como havia realizado intercâmbios nos Estados Unidos e Canadá durante sua adolescência, decidiu fazer bacharelado em Inglês na PUC (Figuras 19-20).

Figura 19- Despedida de Juliana para um dos seus intercâmbios nos EUA, em 1990, com Gabriela, Marina, ela própria com Walkyria no colo; abaixados Diego e Uly.


Figura 20- Mais uma festa de despedida da Juliana com muitos parentes presentes.

Marina, aos 21 anos, depois de ter sido uma extraordinária ginasta olímpica durante sua adolescência, pois obteve na sua carreira inúmeros títulos de campeã paulista, brasileira e sul-americana, inclusive chegando a disputar, em 1991, o Campeonato Mundial de Ginástica Olímpica (era a primeira vez na história da modalidade que nosso país se apresentava com uma equipe completa de 5 atletas para disputar o Mundial) representando o Brasil, estava cursando Administração na Fundação Armando Alvares Penteado (Figuras 21-22-23).

Figura 21- Marina em plena competição na paralela assimétrica.


Figura 22- A equipe do Esporte Clube Pinheiros campeã Sul-Americana em Cuenca, Equador.


Figura 23- A equipe de Ginástica Olímpica completa que representou o Brasil no Campeonato Mundial de 1991, em visita à minha casa. Elas vieram do Rio de Janeiro aonde treinavam, inclusive Marina, que lá viveu todo um ano, para disputar um campeonato internacional em São Paulo.

Na verdade, o apelo desta viagem não se limitava apenas a Long Island, era muito mais pretencioso, incluía também Manhattan, posto que com bastante frequência, nos fins de semana havia sempre uma grande atração a ser vista nesta cidade espetacular que nunca dorme a “Big Apple”. Assim, tudo foi detalhadamente planejado para que pudéssemos desfrutar as antigas e as possíveis novas atrações da Big Apple bem como de Long Island.
Abaixo estão expostas algumas fotos que documentaram aquela visita.


Figura 24- O grupo todo e mais alguns agregados no aeroporto de Guarulhos no momento da partida para Nova Iorque. Da esquerda para a direita: eu, Fábia, mãe de Dudu (namorado da Marina na época), Gabriela (filha da Fábia) e seu namorado na época, Dudu, Marina, Juliana, Uly, Carmem (namorada do Uly na época) e Walkyria.


Figura 25- A chegada do “bando” em Nova Iorque e toda a bagagem; foi necessário alugar esta Van para poder acomodar todo o pessoal.


Figura 26- Toda a família e agregado tendo ao fundo o rio Hudson em visita aos Cloisters. Da esquerda para a direita: Juliana, Walkyria (minha filha com Fábia), Uly, Marina, Biba (filha de Fábia), Dudu, Fábia (minha mulher que faleceu em 2004) e eu.


Figura 27- Walkyria e eu com os Cloisters ao fundo.


Figura 28- Todo o grupo, menos eu que os fotografei, com os Cloisters ao fundo.

Figura 29- Uly e Juliana na visita aos Cloisters, no outono de 1977, um castelo medieval trazido da Europa por um milionário americano e transplantado no norte de Manhattan.

Os Cloisters (Os Claustros) são um museu ligado ao Metropolitan Museum of Art dedicado à arte e arquitetura da Europa da Idade Média. Está localizado no extremo norte de Manhattan no lado oeste da ilha em uma colina às margens do rio Hudson. Os Cloisters incluem um museu com vasto acervo de cinco mil obras medievais que vão do século XII ao XV e outros atrativos encerrados em uma área de 4 acres adjacentes. A construção é por si só uma obra de arte, trata-se de uma estrutura múltipla que incorpora elementos de 5 claustros medievais franceses. Estas construções foram trazidas da França e reagrupadas no local na década de 1930. O museu foi criado por John Rockfeller Jr., que doou boa parte da sua própria coleção para o museu. A visita vale muito a pena não somente pelo museu em si, mas também porque do alto desta colina tem-se a melhor vista panorâmica da magnífica “George Washington bridge” que liga New Jersey a Manhattan.

Figura 30- Meus filhos e eu debaixo das janelas do nosso apartamento.


Figura 31- Marina e Juliana no quintal da nossa casa no outono de 1977; observar ao fundo o colorido das folhas que vão pouco a pouco mudando de cor e oferecem um aspecto maravilhoso da natureza.


Figura 32- Juliana e Marina no inverno de 1978 no quintal do nosso prédio brincando com o cachorro de um nosso vizinho. Este foi um inédito e deslumbrante cenário, as águas da chuva, que caiu no dia anterior, se cristalizaram após um súbito decréscimo da temperatura abaixo de zero grau.


Figura 33- Uly com sua recentemente adquirida paixão, a bola de futebol, no Eisenhower Park, nosso parque predileto em Long Island. Foi aí que eu comecei a ensiná-lo os primeiros truques deste esporte fascinante.



Figura 34- Uly, Marina e Juliana, bem embaixo da janela do nosso antigo apartamento.


Figura 35- Marina e Juliana, tendo ao fundo o prédio aonde havíamos morado.


Figura 36- Marina e Juliana recordando os tempos de criança no “play ground” do prédio. Notar que Walkyria está desfocada, parece compor uma cena de “revival” de Juliana quando criança.


Figura 37- Marina e Juliana recordando os tempos de criança no “play ground” do prédio. Notar que Walkyria está desfocada, parece compor uma cena de “revival” de Juliana quando criança.


 Figura 38- Juliana, Marina e Uly na frente do nosso prédio.


Figura 39- Marina em frente à escola maternal que frequentou.


Figura 40- Juliana em frente à escola maternal que frequentou.

Figura 41- Juliana e Marina na porta de entrada da escola maternal.


Figura 42- Marina e Walkyria na frente da escola maternal.


Figura 43- Uly e as irmãs em frente à escola de ensino fundamental que frequentou.
 
Figura 44- Uly revisitando sua sala de aula.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Minha História de vida e minha História vivida na EPM/UNIFESP (33)

A história da realização de um Pós-Doutorado no North Shore University Hospital, Cornell University, Nova Iorque: pessoal e científica


O Típico Modelo Experimental da Enteropatia Ambiental - II

Desdobramentos do Projeto de Pesquisa Experimental

Vale salientar que os resultados preliminares deste trabalho foram pela primeira vez apresentados no Congresso da Federation of the American Society for Experimental Biology (FASEB), realizado em Atlantic City, Nova Jersey, em 1978 (Figura 10) e publicado na revista Federation Proceedings 12:433,1978 título: “Bile-salt-enhanced jejunal macromolecular absorption”, autores “Ulysses Fagundes-Neto, Saul Teichberg, Mary Ann Bayne, Fima Lifshitz”.
 
Figura 10- Nosso poster exposto no Congresso da FASEB em Atlantic City.

A versão completa deste trabalho foi apresentada como minha tese de Doutorado em Gastroenterologia na Escola Paulista de Medicina em 1979, com o título “Absorção de Macromoléculas Intactas pelo Jejuno de Ratos In Vivo: Influência dos Sais Biliares Taurocolato, Colato e Deoxicolato” tendo sido aprovada com nota 10,0 (dez). Posteriormente este trabalho foi publicado na revista Journal of Laboratory Investigation 44:18-26,1981, título: “Bile-salt-enhaced rat jejunal absorption of a macromolecular tracer”, autores: “Ulysses Fagundes-Neto, Saul Teichberg, Mary Ann Bayne, Fima Lifshitz”.
Além deste projeto de pesquisa experimental, baseando-se nos mesmos princípios metodológicos e nas mesmas técnicas, mas variando o modelo animal 2 outros trabalhos foram desenvolvidos neste período de Pos-Doc no laboratório de Pediatric Research, no North Shore University Hospital, os quais também estão publicados na literatura médica internacional. O primeiro deles refere-se às mesmas condições metodológicas, porém, desenvolvido em modelo de indução de desnutrição proteico-calórica em ratos e o segundo em ratos desmamados submetidos à dieta crônica com lactose, a saber: American Journal of Clinical Nutrition 343:1281-91,1981, título “Jejunal macromolecular absorption and bile-salt deconjugation in malnourished rats”, autores “Ulysses Fagundes-Neto, Saul Teichberg, Mary Ann Bayne, Fima Lifshitz” e Pediatric Research 17:381-39,1983, título “Disaccharide feedings enhace rat jejunal macromolecular absorption”, autores “Ulysses Fagundes-Neto, Saul Teichberg, Mary Ann Bayne, Raul Wapnir, Fima Lifshitz”, respectivamente.
Considerações Finais

Ao cabo da jornada pude finalmente responder todas aquelas questões que insistiam em me atormentar antes de tomar a decisão definitiva de aceitar o convite para trabalhar nos Estados Unidos. O local aonde vivíamos era perfeitamente adequado para uma família que lá estaria em caráter temporário, além disso, encontrava-se a exatos 5 minutos de caminhada até o hospital; tive a oportunidade, no hospital, além de desenvolver minhas atividades de pesquisa experimental, atender pacientes e travar conhecimento com enfermidades pouco comuns em nosso país naquela época, portanto, não me afastei da prática clínica o que tanto me preocupava; rapidamente me adaptei às novas funções de investigador de bancada graças principalmente, além de um grande esforço pessoal, por ter encontrado uma companheira de trabalho maravilhosa que foi Mary Ann Bayne, que pacientemente me ensinou todos os truques e técnicas necessárias para desenvolver os trabalhos de investigação; além dela encontrei em Saul Teichberg, um grande amigo, sempre disposto a me ensinar os detalhes das preparações histológicas e os meandros da Biologia Celular, bem como compartilhar comigo as emoções das novas descobertas científicas que nosso projeto revelava; no campo pessoal sentia-me muito feliz por estar fazendo algo inteiramente inédito na minha carreira e obtendo resultados positivos, meu foco de trabalho era essencialmente o projeto de pesquisa, não tinha que desempenhar outras tarefas que pudessem dispersar meus pensamentos, nem tampouco outras preocupações quer sejam profissionais ou pessoais; no campo familiar tudo era extremamente tranquilo sem sobressaltos, a vida nos Estados Unidos era absolutamente estável, não havia inflação como no Brasil naqueles anos, tudo era perfeitamente planejável a médio e longo prazo, o valor do dinheiro não sofria oscilações, não havia quaisquer problemas de segurança, todos podiam se deslocar para qualquer lugar sem que houvesse sobressaltos, havia plena liberdade de expressão coisa que no Brasil não existia (estávamos ainda sob a vigência da ditadura), podíamos desfrutar de inúmeras atividades culturais e de lazer a preços módicos, enfim, havia todo um conjunto de fatores que propiciava o desfrutar de uma vida acomodada; nos fins de semana podíamos passear nos parques públicos e muitas vezes assistir a concertos ao ar livre da Filarmônica de Nova Iorque tocando no Eisenhower Park (era nosso parque preferido) (Figuras 11-12) ou viajar e conhecer diferentes e maravilhosos lugares próximos ou mesmo distantes de Nova Iorque (Figuras 13–14-15-16) aproveitando, assim, esta oportunidade única de uma vida absolutamente descompromissada com o futuro material.
Figura 11- Juliana e Marina se divertindo em um fim de semana no playground do Eisenhower Park.



Figura 12- Um fim de semana no Eisenhower Park quando da minha participação de uma corrida de 6 milhas. Uly também correu 3 milhas e foi premiado como o mais jovem participante da prova.



Figura 13- A família em visita ao Cloister um castelo medieval trazido da Europa por um milionário americano e transplantado no norte de Manhattan.

Figura 14- Uly e as cerejeiras em flor no jardim japonês do jardim Botânico do Broolkyn. Elas florescem apenas uma vez ao ano e a floração dura apenas 15 dias.



Figura 15- Região das Thousand Islands, no lago Ontário, Canadá em uma das viagens de verão.



Figura 16- Uly, Juliana e Marina em um passeio de barco pelo lago Ontário na região das Thousand Islands.

Porém, a despeito de todos estes fatos, para quem tem raízes assentadas na sua terra natal e que tem desejos incontroláveis de ser um agente de transformação do status quo, esta situação confortável não satisfazia aos anseios dos nossos ideais, as saudades das nossas coisas no Brasil sempre nos remetiam ao país, o desejo de voltar era muito mais intenso do que o apelo para lá permanecer e ser apenas um a mais naquela imensa multidão totalmente anônima. Por isso, o sentimento do retorno falou mais alto, assim retornamos, aqui pude exercer o papel de agente de transformação de forma plena, sem quaisquer arrependimentos. Valeu à pena a experiência, foi extraordinária sob todos os aspectos que se queira considerar, mas valeu ainda mais voltar ao nosso rincão, onde as raízes estão sólida e profundamente fincadas há muitas gerações.

Aqui termino a história de vida pessoal e profissional em Nova Iorque, mas antes é necessário enfatizar que na volta, logo após minha chegada enviei um projeto de pesquisa à FAPESP baseado em tudo aquilo que havia aprendido no meu Pos-Doc, solicitei 2 bombas de perfusão, para poder transportar para cá o modelo de pesquisa que lá havia desenvolvido. O projeto foi aprovado as bombas de perfusão foram compradas, com esta aquisição pudemos implantar a técnica da perfusão intestinal em ratos em nosso meio. Inúmeros projetos de pesquisa passaram a ser realizados utilizando esta metodologia, o que resultou em uma ampla série de trabalhos de tese de Mestrado e Doutorado de alunos meus oriundos dos mais diferentes locais do país. Eu passei a ser um agente de transformação, conforme havia sonhado e planejado.